“Amadores”

“A Uber dos Bombeiros” Crónica de Drº Rui Silva
21/06/2017
Brevemente…
22/06/2017
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“Amadores?”.

Se existe uma área na qual os governantes portugueses, independentemente de suas preferências ideológicas, se dão sempre mal quando tentam agir, é com as Associações e Corpos de Bombeiros Voluntários e porquê? Porque não se interessam de escutar o que lhe é transmitido por quem sofre no dia-a-dia as vicissitudes de socorrer o próximo, e por vezes com dificuldades extremas de falta de meios para suprir essas situações. Ao mesmo tempo, é um sector de cujas carências a sociedade conhece e participa na tentativa de suprir as mesmas. Não há pesquisa de opinião que não a identifique como uma das principais preocupações da população e, sintomaticamente, não há político que não prometa fazer algo nessa matéria. Todas as tentativas de reformas para o nosso sector acabam sistemática e melancolicamente frustradas.

Parece que a sua pretensão é a de inviabilizar as Associações e Corpos de Bombeiros Voluntários de cumprirem a sua missão altruísta. Será?

Não dá para entender certas atitudes de indecisão, que revelam inconsciência e um alheamento impressionante das realidades.

Portugal inteiro sabe das dificuldades com que vivem as Associações e Corpos de Bombeiros Voluntários, levando à imaginação dos seus Responsáveis para angariarem fundos que permitam mantê-las operacionais.

É, em primeira instância e face à Legislação em vigor, às Autarquias que compete defender os Bens, Vidas e Haveres dos seus Munícipes, mas muitas delas ou por falta de verbas (?) ou incompreensão dos seus responsáveis, não têm presente essa obrigação legal.

O Povo Português chamou a si a responsabilidade de defender o seu próximo das intempéries, incêndios, acidentes e de tudo que destrua o seu bem-estar, criando as Associações e Corpos de Bombeiros Voluntários, há mais de seis séculos, foi assim que nasceu este movimento de Voluntariado e solidariedade social que tem à sua guarda noventa e seis por cento da nação Portuguesa.

E quando deviam ser estimulados e acarinhados pelos que representam a Nação, são vitimas da indiferença, e ameaças de (ir)responsáveis políticos que protelam as soluções dos problemas mais instantes.

Esta situação não pode arrastar-se e manter-se no estado atual, sem que tenhamos de denunciar publicamente as razões impeditivas de podermos prestar os nossos serviços com altruísmo e abnegação.

Lutam as Associações e Corpos de Bombeiros com tremendas dificuldades financeiras, não podendo emagrecer mais os seus orçamentos, nem se endividarem, para dar cumprimento à sua missão.

Estamos numa situação degradante, numa luta que amolece vontades e desilude os que ainda, como últimos moicanos lutam para fazer algo pelo próximo.

No entanto continuam mulheres e homens com e sem farda, a gastar horas do seu repouso, longe dos seus familiares e amigos, para cumprirem a missão que Voluntariamente escolheram.

Mas apesar dessa dadiva, que representa as virtudes de um Povo, que ama o seu semelhante, ainda se põe em dúvida se os “ fogos e outros sinistros se podem colmatar com BOMBEIROS AMADORES “.

Os Bombeiros Voluntários Portugueses continuam orgulhosos dos serviços que prestam, não regateando esforços para nos mantermos dignos dos que nos antecederam, mas exigimos que os políticos entendam, que sempre atuamos com Honra, Brio, Saber e Profissionalismo, o que alguns deles não fazem.

26Maio2017

Joaquim Moreira Vicente

Cmdt. Q. H. CB Alcabideche

Conselheiro Nacional (FDBL)

A presente crónica é propriedade da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa e seus autores, é permitida a sua reprodução desde que a fonte seja de forma inequívoca transcrita.